O que é a cifra de Vigenere?
A Cifra de Vigenère é um método de substituição polialfabética. Em vez de aplicar um único deslocamento fixo (como em César), ela usa uma sequência de deslocamentos definida por uma palavra-chave repetida ao longo da mensagem. Assim, cada letra pode ser cifrada por um “alfabeto” diferente, dificultando a análise de frequência simples.
Para cada posição, combina-se a letra do texto (A–Z) com a letra correspondente da chave (A–Z).
O deslocamento é o índice alfabético da letra da chave (A=0, B=1, …, Z=25).
A chave é repetida ou truncada para ter o mesmo comprimento do texto.
Funcionamento
Normalize o texto (para compatibilidade com um alfabeto de 26 letras: acentos → forma básica)
e decida como tratar caracteres como ñ/Ñ — você pode preservá-los sem cifrar
ou mapeá-los para N, mas é essencial documentar a decisão.
Em seguida, repita a chave até cobrir toda a mensagem.
Fórmulas
Cifragem: Cᵢ = (Pᵢ + Kᵢ) mod 26 Decifragem: Pᵢ = (Cᵢ - Kᵢ + 26) mod 26 onde: Pᵢ = índice (0–25) da i-ésima letra do texto plano Kᵢ = índice (0–25) da i-ésima letra da chave repetida Cᵢ = índice (0–25) da i-ésima letra do texto cifrado
Observe que Vigenère é linear sobre ℤ26: a robustez depende da extensão e da aleatoriedade da chave, não da fórmula em si.
Exemplo
Exemplo rápido
Texto: ATAQUEAMANECER • Chave: CLAVE
Chave repetida: CLAVECLAVECLAV
1ª letra: A com C (2) → C.
2ª letra: T com L (11) → E.
Prossegue-se somando (mod 26) o deslocamento indicado por cada letra da chave.
Dica: se optar por manter espaços e pontuação, deixe claro na ferramenta;
caso contrário, eles costumam ser removidos antes da cifragem.
Acentos são normalizados (á→a) e ñ/Ñ pode ser preservado para fins didáticos.
História
- Ideias polialfabéticas introduzidas por Leon Battista Alberti (séc. XV).
- Aprimorada por Giovan Battista Bellaso (1553) com uso explícito de palavra-chave.
- Atribuída popularmente a Blaise de Vigenère (1586), daí o nome.
- Considerada “indecifrável” durante séculos até avanços analíticos no séc. XIX.
Ataques clássicos
- Exame de Kasiski: procura sequências repetidas para estimar o tamanho da chave.
- Índice de coincidência (teste de Friedman): estima estatisticamente o comprimento da chave.
- Separação por colunas: conhecida a extensão da chave, divide-se o cifrado em grupos e aplica-se análise tipo César a cada coluna.
Chaves curtas ou reutilizadas enfraquecem Vigenère; quanto mais longa e aleatória a chave, maior a resistência a esses métodos.
Vantagens e desvantagens
Vantagens
- Mais robusta que César contra análise de frequência (se a chave for suficientemente longa).
- Excelente para ensinar substituição polialfabética e criptografia baseada em chave.
- Simples de implementar e visualizar em ferramentas interativas.
Desvantagens
- Insegura com chaves curtas ou reutilizadas (quebrável por Kasiski/Friedman com texto suficiente).
- Não oferece integridade nem autenticidade — apenas confidencialidade básica.
- Inadequada para proteção de dados no contexto moderno.
Ferramenta de Criptografia e Descriptografia Vigenere
Somente letras A–Z são permitidas (acentos e símbolos são ignorados).